Hoje, amigo,
relembra aos descendentes
que não há bufos
nem trabalhos forçados.
Podem sair por aí de braços dados,
sem farda de ultramar
nem passos alinhados.
Hoje, amigo,
ainda não estás gasto.
Torna-te barco sem cais onde ancorar.
E o lápis de outrora,
alçado como mastro,
que seja o cravo vermelho
em alto-mar.
Hoje é abril, amigo
(que descanso).
Que o pulso firme
te
corrija o braço.
Voltar atrás — não voltes nunca mais,
e nem sequer para ganhar balanço.
Maria da Fonte
