Há lugares onde a noite chega
para deixar poemas estendidos pelos cantos,
como se pressentisse o esgar disponível das sombras.
As palavras ainda húmidas de saliva germinam nas janelas.
Até que a manhã tropeça nas flores que
se afastam das horas
e o tempo deixa crescer dentro de nós os versos.
É assim que os dias fogem dos vasos sem margens
e nós, sem saber porquê, estamos tão perto de tudo.
