Ai, Ponte de Lima, diz-me
onde vais tu tão ligeira,
no teu vestido de folhos,
a fingir-te de solteira.
Ai, que inveja que te tenho
quando vejo os foliões
rendidos às tuas rendas,
com piropos e canções.
Tu, que desces a avenida,
no teu ar de desafio,
e que te encostas à ponte
só para te veres no rio.
E eu, que estou à janela,
a vigiar o marido,
com medo que ele se esconda
na roda do teu vestido.
Maria da Fonte
