sexta-feira, 4 de janeiro de 2019
domingo, 28 de outubro de 2018
No perímetro da morte
Parece-me
bem que a vida
dê as
suas voltas
para
encaixar no perímetro da morte.
O mestre sabe que os cálculos
entre uma
e outra distância
não
trazem números inteiros
mas
valores arredondados.
E se as
sequências ditam
resultados
variáveis
que a
memória armazena
ou com
destreza remove,
talvez os sonhos garantam
um valor
acrescentado.
Deus tira a prova dos nove.
Maria da Fonte
Maria da Fonte
quarta-feira, 18 de julho de 2018
Deixa-me morar fora das varandas
Não me
empurres as palavras com os dedos,
nem me
acordes com os olhos da tua rua.
Deixa-me
morar fora das varandas
e ajeitar
dentro de mim o coração.
Não te
queiras refém das minhas mágoas,
nem te
deixes adormecer nos meus medos.
E se
alguém te disser que o tempo é certo
e que as
horas cabem em qualquer segredo,
não
acredites.
Tu sabes
que as tardes têm formas
onde só,
de vez em quando, nós cabemos.
Maria da Fonte
quarta-feira, 13 de junho de 2018
Tac tac tac tac
nas costas
da minha mão.
Não é
relógio de pulso
nem bater de coração.
É a máquina,
é a linha,
é a voz do
meu patrão.
Tac tac tac
tac
mais à
frente , mais atrás.
Os olhos
como faúlhas,
cose que
cose, rapaz.
Tac tac tac tac
já tenho as pernas
cansadas.
Os moldes ficam tão alto,
subo e desço
escadas.
Tac tac tac
tac
feito um
moinho de vento.
Faz-me poeira
dos dedos
e nuvem do pensamento.
Tac tac tac
tac
abaixo do
coração,
onde cabia
escondido
mais um
pedaço de pão.
Tac tac tac
tac
podia ser
uma bola
e a baliza
esta máquina
que me cose
a camisola.
Tac tac tac
tac
Tac tac tac
tac
Tac tac tac
tac
vai batendo sempre,
sempre,
como o sol
que aqui nasce
e morre no
ocidente.
Maria da
Fonte
sexta-feira, 8 de junho de 2018
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