domingo, 23 de agosto de 2026

 



Há lugares onde a noite chega
para deixar poemas estendidos pelos cantos,
como se pressentisse o esgar disponível das sombras.

As palavras ainda húmidas de saliva germinam nas janelas.
Até que a manhã tropeça nas flores que se afastam das horas
e o tempo deixa crescer dentro de nós os versos.

É assim que os dias fogem dos vasos sem margens
e nós, sem saber porquê, estamos tão perto de tudo.

 

Maria da Fonte

quarta-feira, 5 de agosto de 2026


Não me venham com torresmos,

nem chazinhos de hortelã,

que a prótese mal ajustada

e a viagem dos torresmos

nesse túnel preguiçoso,

andando de lá para cá,

trouxeram-me disfagia.


Nem sapos engulo já.




Maria da Fonte