segunda-feira, 7 de novembro de 2016
sábado, 22 de outubro de 2016
Deixa-me ser
sábado, 15 de outubro de 2016
Rotina
Despejas um gemido na mesa.
Quantas manhãs cabem nos teus olhos?
Procuras nas mãos o rascunho do mundo,
os teus dedos trémulos peregrinam vertiginosamente a cartilha.
Arrancas da garganta lápis,
mas, por temeres rasuras,
aportas nos dentes medos.
Podias ser uma ilha.
Deixas cair os braços na direção da morte
E nem um traço.
As ruas arrastam-te com outros ao sol-posto,
e tu não saltas com medo de perder o equilíbrio das horas.
Depois de tudo, é sempre
inverno no teu rosto.
Maria da Fonte
Imagem: «FADESTINO»
Rosa Maria Duarte
quinta-feira, 1 de setembro de 2016
Identidade

Eu sou a porta
entreaberta
das paredes
onde habito
entre o que me morre
em mim
e o que quebra
o infinito
o recorte
do que sobra
entre um
e o outro lado
a precisão
dos sentidos
num ponto
já desfocado
o voo
de cada qual
na falta
de algum voar
onde a palavra
se demora
entre
o ir e o chegar
e é de porta
entreaberta
que eu amo
baixinho tudo
desde as vertigens
da alma
às sombras
rasas do mundo
Maria da Fonte
Imagem da Internet
terça-feira, 30 de agosto de 2016
Enquanto espero por ti

Vieste tarde, eu esperava ao frio
sem sobretudo. Não vás embora,
não vás, fica tão grande o meu mundo.
Não digas que está calor nem
que não há nenhum vento. Garanto
que tenho frio. Repara, vê-me por dentro.
Ele passou, eu senti. Raspou-me
rente ao ouvido. Era uma seta, bem sei.
O resto tenho esquecido.
Não vás embora, não vás, nem grites
tanto assim.Tenho medo desta nuvem
que se estende atrás de mim.
Diz ao sol que não morra, faz um sorriso
no chão. Do resto, eu não me lembro,
se tantos anos já vão.
Finge que tens no teu ventre a lua
lá hospedada e deixa-me adormecer
nos teus braços enrolada.
E se o teu calor cobrir o meu corpo
nos teus braços, eu posso então partir.
Não chores os estilhaços.
Maria da Fonte
terça-feira, 14 de junho de 2016
Os olhos moram em todos os lugares

E cabe no teu gesto
de cimento
um não sei quê de medo
e de muro.
Para quem vem de longe,
as horas ficam
no teu gemido
raso a quase tudo.
As noites pintam-te o sono
a fundo negro.
O frio embala-te o corpo,
se ficares.
Os dias sulcam
Os trilhos do teu rosto.
Os olhos moram
em todos os lugares.
Maria da Fonte
Imagem da internet
domingo, 29 de maio de 2016
Até ao fio de tudo
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