A maior parte do tempo,
corro nesta contramão.
Com duas horas de estrada,
oito horas de escritório,
quatro a passar a ferro,
uma a arrumar as mochilas,
três horas de Capuchinho,
duas de bicho papão,
com sopa de alho francês
numa colher de avião.
A maior parte do tempo,
sou o gato de Pessoa,
sem tempo para a razão.
Ao gato bastava a rua,
que o tempo levava o gato.
A mim, que carrego o tempo,
bastam-me pernas e mãos.
Maria da Fonte

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