domingo, 25 de outubro de 2026





 A maior parte do tempo,

corro nesta contramão.

Com duas horas de estrada,

oito horas de escritório,

quatro a passar a ferro,

uma a arrumar as mochilas,

três horas de Capuchinho,

duas de bicho papão,

com sopa de alho francês

numa colher de avião.


A maior parte do tempo,

sou o gato de Pessoa,

sem tempo para o sarau.

Ao gato bastava a rua,

que o tempo levava o gato.

A mim, que carrego o tempo,

bastam-me pernas e mãos.

Maria da Fonte