Era uma vez num país
duzentos e trinta homens
com sapatos por medida,
mais um par de motoristas
e uma gravata a apontar
para o centro da barriga.
Era uma vez no retrato
do palácio de um país
duzentos e trinta homens
lapidados por tesouras
em camisas de alfaiate,
num coletinho escocês
onde ancoravam as mãos,
e mulheres, duas ou três.
Era uma vez num palácio
duzentos e trinta homens
encostados à janela
das manchetes dos jornais,
e um povo de boca aberta
amontoado nas pedras
dos espaços pedonais.

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