
Levai-me, vento do norte, ao ventre
de minha mãe, falai-lhe da minha sorte,
mas não digais a ninguém.
Se ela, por medo, chorar ou, por culpa,
adoecer, dizei-lhe, para a acalmar,
que eu preferi não nascer.
Só ela me entenderá, só ela
sabe tão bem que a rosa sem a redoma
fica à mercê de quem vem.
No breve correr das horas, onde nunca
sei de mim, dizei-lhe que tenho medo,
que quero o seu ventre, sim.
E antes que gaste o que tenho à procura
do que sou, quero saber ao que venho
no ventre que me gerou.
Pois se hei de voltar um dia ao ventre
de mais alguém, que seja ao ventre da terra
no ventre de minha mãe.
Maria da Fonte
Imagem retirada da internet





