
Pedem-lhe
que trace o futuro,
e num poema
os pés de peregrino.
Crava no alto a corda,
vai subindo,
como quem fende um rasgo
no destino.
Depois olha do alto
o corpo em suspenso,
e com o lápis
desce até ao chão.
Tudo lhe fere os pés,
um medo imenso.
Sobe de novo a corda
da ilusão.
Segue o rasto
de todas as estrelas,
e, em rabiscos
sem se deixar tocar,
vai trocando os vales
pelas serras,
algures perdido num mapa
por traçar.
Foge da tela,
um lápis e o nada,
a corda gasta,
a mão e nunca mais.
E se às papilas
a terra for pesada,
traz no poema
as marcas digitais.
Maria da Fonte
Imagem da internet
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