
Visto palavra
a palavra,
vou mudando de estação.
Gasto a distância
das coisas
só com um lápis na mão.
Salpico nuvens
no céu,
ponho chuva
sobretudo.
Se houver água que me lave,
a vida cola-se a tudo.
Na mão
seguro estrelas,
deixo afogar
o olhar
e sigo pelas entrelinhas
sem pressa de me lavar.
Mas, na deriva
dos ventos,
a vida,
como um pião,
vai rodopiando à toa
e depois cai-me no chão.
Colem pedaço a pedaço,
como convirá,
decerto.
Não me lavei,
é verdade,
mas olhem que fiquei perto.
Maria da Fonte
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