quinta-feira, 31 de julho de 2014

Fragmentos



Daqui, deste mar, eu vejo a vida
até onde o olhar não pode mais.
Acerto o passo ao ritmo das ondas,
de vaga em vaga, vou divisando o cais.
E neste navegar ergo palavras,
levanto o reino de um tempo já perdido,
pressinto por trás das vagas outras vagas,
paro, descanso neste sigo, não sigo.


Maria da Fonte
Imagem da internet

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Formalidades


Pedem-lhe
que trace o futuro,
e num poema
os pés de peregrino.
Crava no alto a corda,
vai subindo,
como quem fende um rasgo
no destino.

Depois olha do alto
o corpo em suspenso,
e com o lápis
desce até ao chão.
Tudo lhe fere os pés,
um medo imenso.
Sobe de novo a corda
da ilusão.



Segue o rasto
de todas as estrelas,
e, em rabiscos
sem se deixar tocar,
vai trocando os vales
pelas serras,
algures perdido num mapa
por traçar.


Foge da tela,
um lápis e o nada,
a corda gasta,
a mão e nunca mais.

E se às papilas
a terra for pesada,
traz no poema
as marcas digitais.

Maria da Fonte
Imagem da internet