sábado, 31 de dezembro de 2011

Palavras ao vento








Atiro palavras ao vento como quem lança um papagaio e espera que ele teça o meu sonho no céu. Há dias em que elas caem no abismo dos sentidos e eu fico suspensa nas asas do meu querer…Os ventos são revoltos, as palavras são frágeis, mas o meu sonho é firme. Enquanto houver folhas em branco e céu imenso, eu continuarei a lançar ao vento papagaios.
Estou certa de que o anfitrião das crianças, dos poetas, dos cientistas… não vedará a minha entrada. Não há caminho de regresso para alguém que, sem asas de andorinha, palmilhou o infinito à procura de um albergue.

Maria da Fonte
corpodepoema.blogspot.com

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Eu sei












Eu sei
que as minhas pernas não conseguem
levar-me onde me leva o pensamento.
Eu sei
que as minhas asas são de cera,
que não resistem ao calor do fogo intenso.
Eu sei
que o meu desejo, forte e denso,
transcende a soleira do olhar.
Eu sei
que o que vejo, eu invento,
que não suporto a barreira do meu estar.
Eu sei
que o limiar onde aguento
é entrada e saída do real.
Eu sei
que o corpo é sopro de momento,
que a vontade é firme e imortal.
Eu sei
que a esperança em mim existe,
que corre no meu ser, no meu estar.
Eu sei
que só a fé em mim resiste
ao tempo que persiste em me levar.

Maria da Fonte
omundodelas.wordpress.com

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

O meu Natal

O meu Natal
perdeu-se na cidade,
tolhido em
labirínticas
folhas de jornal.
Dormitou no passeio
trivial ,
aos pés de palácios
de vaidade.

Maria da Fonte
multiplasideias.blogspot.com