terça-feira, 20 de setembro de 2011

A um Deus Maior




És o meu Deus,
A minha transcendência,
A superação do Deus superior.
És a teia onde mergulha
A minha essência,
A mais profícua semente
Do meu ser.

És a terra, a água, o fogo e o ar,
És a explicação concreta da ciência,
És palpável,
És matéria,
És terrena.
Nunca o devaneio, a aparência.

Sinto o peso do teu corpo
No meu ventre,
O teu cheiro
Desde a fecundação.
No meu útero cravados ainda embalo
Os vestígios do toque da tua mão.


Texto: Maria da Fonte
Imagem: choramingosechorumelas.blogspot.com

Tempo



Correste comigo de mãos dadas.
Juraste ser o meu o primeiro e último
Amor.
Juntos, corremos mundo,
Galgámos montanhas de dor,
Atravessámos vales de prazer,
Mergulhámos em leitos cristalinos,
Onde me entreguei
Perdidamente.
Conheceste e possuíste
Cada pedaço de mim.
Foste meu, Tempo,
Por instantes!

Queres ouvir-me?
Hoje,
Continuo a querer correr contigo.
Mas tu,
Como qualquer fugaz amante,
Procuras o colo doutros vales.
Continuo a querer que me tragas o mundo.
Mas tu,
Como qualquer avarento,
Atiras-me, velado,
Um pedaço de terra.

Texto: Maria da Fonte
Imagem: phcurvelo.blogspot.com

domingo, 18 de setembro de 2011

Julgamento

A Vós, Grandes Amigos Virtuais,
Inclino a minha simples poesia.
Aquela em que o verso me assedia,
Me expõe ao julgamento dos demais.

Não esperem o canto de uma diva,
Nem a nobre destreza de Pessoa.
Vou navegando neste mar à toa,
Levo o sonho e os versos à deriva.

Este mar onde escrevo é companheiro,
Carregou-me o barco de ilusões
E brindou-me com fé de marinheiro

Burilava nas ondas as lições,
Arroladas no seu cancioneiro
E tiradas dos cantos de Camões.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Folia




Quero ir às Feiras Novas
E pousar na multidão,
Correr até à infância
Da minha imaginação.
Subirei rio acima,
No dorso duma lampreia,
E, de folia na mão,
Pularei a noite inteira.

De Matilde na lapela,
Ao toque da concertina,
Levar-vos-ei, Feiras Novas,
das margens do rio Lima.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Eu


Eu quero ser o todo,
A plenitude,
O concreto, o abstracto,
A ficção.
No caos procurar a ordem,
Na ordem a sua negação.

Através do grito da minha voz,
Condensar em mim
O Universo.
A minha alma mutilada ao infinito,
O meu corpo eternamente disperso.

domingo, 11 de setembro de 2011

Despedida




Ontem não me vi
Na minha alma,
O corpo afastou
O seu vibrar.
A luz,
Embalo do meu sonho,
Deixou o meu berço
Congelar.
Achei-me perdida
Noutro leito,
Aconchegada em sonhos
Acabados.
Cruzei o presente
No meu peito
E descansei sob lençóis
Gelados.