segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

De qualquer forma eu vou


De qualquer forma eu vou,
habita-me nas asas um roteiro povoado de lonjuras.
Ainda que os olhos se rendam a precipícios,
depressa o pensamento aprende a ser poesia.

Podes ciscar-me o ninho nessa espera,
a hora vai larga e tudo em mim se demora.

Inventa-me legendas, emenda-me retalhos,
desvia-te, se quiseres, mas deixa passar o poema.
Define a rota e tira da gaiola que entenderes a nostalgia.


Neste intervalo de tudo, deixa-me ser liberdade,
Lembra-te de Harper Lee, «não mates a cotovia».


Não dói quase nada agora
a indiferença de ficar inteira ou pela metade.

Maria da Fonte

3 comentários:

  1. E os maiores arrependimentos são de coisas que não fizemos. Por isso, vai mesmo. E continua a encantar com a tua excelente poesia, de que este poema é mais um exemplo.
    Bom Ano e bom fim de semana, querida amiga.
    Beijo.

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  2. Há algo em nós que fervilha, que não se conforma... Há que dar-lhe voz.
    Tocou-me, a tua poesia toca-me sempre.

    Abraço

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  3. Belo...
    Tua poesia é teu dentro,
    teu grito,
    teu voo.
    As rosas sempre tem espinhos,
    mas acima dos espinhos,
    há um percorrer de pétalas macias.
    Na vida temos dois caminhos e uma escolha.
    As aulas da vida são todos os dias,
    não perca o estudo, o amanhã nasce outra vez, mas o tempo, ah o tempo... Esse será outro.

    Beijinho querida.


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