quinta-feira, 23 de julho de 2015

Intimidades


É certamente o meu maior segredo.
Feita de vento,
nenhuma mão segura.

Escorregadia, desliza, cai no chão.
Foi do impacto, talvez…
E da altura.

Exposta a tudo,
assim, sem forma alguma,
num chão agreste,
fingindo que partiu,

hão de criar de novo a figura
sem nunca vislumbrar
um rasto meu.

E restaurada a teia
onde me teço,
salpicada de mais
ou menos cor,

hão de vender-me
o corpo a qualquer preço,
sem nunca conhecer o meu valor.


E sabei que vou,
se me quiserdes levar,
ainda que nunca irei por completo.

O corpo, assino, é só regatear.
A alma, NUNCA!
Nem mesmo por decreto.

Maria da Fonte
Imagem da Internet



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