terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Esperança


Não te vás, Esperança.
Eu tenho medo
das horas que me pulsam
devagar,
da solidão gelada
dos abismos,
dos fantasmas que me prendem
o olhar.

Se me encolho no silêncio,
não te vás.
É tão longa a noite sem luar!
E entre a sombra do meu corpo
e o meu corpo
cabe a lenda
da bruma das manhãs.

Deixa que a terra cresça
em meu olhar,
ainda que o céu das aves
fique longe,
o declive do solo
me acobarde
e a mão vá chegando
sem chegar.


Maria da Fonte

domingo, 28 de dezembro de 2014

A um amigo especial

Eu queria dar-te um poema
sem fronteiras,
pôr-te palavras nas horas
de insossego.
E na distância, AMIGO,
uma estrela
que te guiasse,
que te tirasse
o medo.

Um poema tão leve
como as aves
que povoam o olhar
da minha mente.
Onde os traços
das linhas, mais suaves,
dessem à folha,
talvez, forma
de gente.

Por entre a neve,
eu erguia, afinal,
um sol quente,
em risco leve e fino.
Nas entrelinhas, de novo,
era Natal.
Em cada linha,
eu punha
um Deus Menino.

Maria da Fonte