sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Repor a verdade
















Para lá das muralhas dos meus passos,
há um lugar sem muros à minha espera.
É só despir-me de mim e partir nua,
como quem fura a noite, segue a lua.
Após o caos, a ordem outra vez;
o corpo, a voz, as coisas, o vento, o pó.
E, mais que o privilégio de aqui estar,
estando só, é ser-se tudo no nada que se é.
Perder as formas, os sons, as dores, a cor;
ganhar o sonho de quem não quer sonhar.


Gritar de lá ao Deus que aqui me pôs,
feita de culpas que nem sei se conheço.
- Que mestre és tu? Que punição mereço,
se me fizeste à tua contraluz?
E arrancar da mão do artesão o ser, não ser,
a sombra, ambiguidade . Riscar da tela
o eu que ali nauseia, como quem rouba
ao céu a eternidade.


Maria da Fonte
Imagem retirada da internet

8 comentários:

  1. A eterna inquietação do existir numa maravilhosa poesia.
    Parabéns M.
    Grande abraço

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  2. Oi amiga, tudo bem? Vim conhecer seu blog e achei muito interessante, já estou te seguindo. Gostaria de convidá-la a visitar meu blog, onde publico minhas poesias, se você gostar, ficarei muito honrado em tê-la como seguidora. Abraços do amigo Bicho do Mato.

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  3. OLÁ MARIA BOM FIM DE SEMANA!!!

    DERRUBE MURALHAS
    DISPA AS TEIAS DA INQUIETAÇÃO
    SIGA OS SONHOS QUE QUER SONHAR
    VIVA A VIDA NO PRIVILÉGIO
    DE A TER PARA VIVER!!!

    1 BEIJO LÍDIA

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  4. Pensamentos inquietantes,profundos... do existir.
    Às vezes, me pego refletindo sobre essas questões...
    Esse poema, é um verdadeiro desabafo...Muito bom!!!
    Que "culpa",temos, de existir, dentro de um "tempo"...?

    Um beijo,
    da Lúcia

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  5. Boa tarde Maria, um poema belíssimo que reflete a inquietação de quem vive e sente na alma os tempos difíceis! Vamos ultrapassar as muralhas e deixar que os sonhos aconteçam. Beijinhos e boa semana. Ailime

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  6. Bom dia Maria! Sensível poema,palavras belas e poéticas ecoaram de sua alma poética e lírica!
    Abracos
    Andre Luiz

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