quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

AVÓ




















Eras tamanha ,avó, dentro do teu mundo tão pequeno.
E eu gostava tanto de te ver a esticar as palavras
e a dobrá-las em mil pedaços para acudires a tudo.
Que bem eu entendia o teu sacudir de braços,
o teu dizer mudo, o teu olhar profundo.
Avó, sabias que o teu mundo era e meu mundo?
Hoje, o meu céu cresceu, mas tuas palavras
gelaram no frio da noite.
E eu, avó, fiquei sem ti,
a olhar a vida lá do fundo.
Queria tanto aprender contigo,
ter-te de volta aqui…
Avó, sabias que o teu mundo era o meu mundo?

Maria da Fonte
regiscalheira.wordpress.com

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Ia no fim

Entregaram-me o tempo
De uma vez,
Não me ensinaram sequer
A doseá-lo.
Julguei-o tanto, na minha
Pequenez…
Imaginei-o sem fundo,
Sem gargalo.
Inocente, talvez,
Ou irreverência,
Ostentei-o como troféu
Conivente.
Escorreu-me pelos poros
Da essência
Derramei-o no chão,
Além de mim.
Qui-lo de volta,
Curar a minha incúria,
Mas
Já o frasco ia no fim.

Maria da Fonte
blogdagravida.wordpress.com

sábado, 14 de janeiro de 2012

Visto a vida
















Desfolho as pétalas do desejo
Nas páginas do meu sonho
E aguardo que a brisa me leve.
Percorro por inteiro
As veias sedentas do meu querer
E rasgo o silêncio que me segue.
Quebro o limite dos meus passos,
Escalo o infinito e, em asas de fogo,
Desafio o sol.
Durmo no leito da lua, enroscada
Ao céu, a olhar o presente.
Acordo…
Desço as escadas, mais fortalecida,
Lavo a alma,
Visto a vida,
Dou um passo em frente.


Maria da Fonte
espacoharmonize.blogspot.com