sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Isto nos basta















Meu coração era uma página em branco.
Foi à escola pela primeira vez.
Começou com pequenos rabiscos,
Indecifráveis, para os outros, talvez.
Para mim, eram histórias perfeitas,
Onde tudo brilhava com primor.
Para vós(eu sei) não era nada;
Para mim, a primeira história de amor.

Depois tive um caderno bem maior,
Onde uma mancha vermelha se vincava.
E eu, orgulhosa, a todos a mostrava.
Começava a complicar-se o meu amor.
Mas era neste caderno que eu lançava
Os dados da sorte e do azar.
As linhas do caderno, eu dominava,
As margens, um desafio a conquistar.

Já tinha uma coletânea quando chegaste
E me pediste que te deixasse ler.
E tu gostaste…eu sei que tu gostaste,
Mas dei-te tempo para poderes escolher.
Anos mais tarde voltaste a encontrar-me,
Ocasional ou propositadamente.
Vinhas de lápis na mão, efervescente,
Para escreveres comigo a nossa história.

E guardamos tudo isso na memória,
Como se tu fosses o caderno e eu a pasta.
Para viver o nosso amor, isto nos basta:
Uma imagem, para tantos, irrisória.

Maria da Fonte
Imagem da intermete

10 comentários:

  1. Escrever-nos escrevendo cada dia o que somos, o que temos e o que queremos ou sonhamos...
    Finalmente aprenderam ambos a mesma linguagem e conseguem óptimos desenhos onde são também as figuras principais.

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  2. Há muito, não vinha aqui. Hoje, li não só 1 poema (este, apenas,não me bastou, mesmo tão belo) Fui recuando e bebendo, nesta bela fonte, palavras que compõem harmoniosas poesias, como se fora canções.

    Um abraço, bem brasileiro,
    da Lúcia

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  3. Maria o seu sobrenome é sugestivo e por que não dizer "profético": Fonte- de poesia e amor ao que faz, versos que se encaixam como traçando um roteiro real de uma emoção vivida; é o poeta que se revela numa explosão de sentimentos contidos e agora revelados. Muito bom! Obrigada pela visita.

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  4. Olá Maria!
    Obrigada pela visita, gostei muito!
    O seu poema é muito interessante. O amor começa assim mesmo, em rabiscos e vamos treinando a caligrafia e na cartografia da vida traçamos nossa existência. Alguns terminam novamente em rabiscos, rsrs, mas para quem bem viver, terá os mais belos traçados. Um beijo!

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  5. Rabiscos da vida, escritos pelo próprio punho!

    Lindo (como sempre)

    Beijo meu
    Sónia

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  6. Vale sempre a pena escrever a nossa história de amor(es).
    Magnífico poema.
    Gostei imenso das tuas palavras.
    Beijo, querida amiga, com muito carinho.

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  7. Gostei das imagens utilizadas ao longo do poema. Somos de facto uma história com narrativa aberta :))
    beijinhos

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  8. Algumas das grandes obras da literatura foram escritas assim. Para si mesmo. Pois se falamos apenas de nós mesmos, muita gente irá se reconhecer ali.
    Por isso também escrevo assim, e não me importa se o que escrevo é grande ou não, mas que sou eu que estou ali, quem sabe alguém se reconhece ou me entende. É por isso que me vi no teu poema. Beijos

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  9. Olá , passei pela net encontrei o seu blog e o achei muito bom, li algumas coisas folhe-ei algumas postagens, gostei do que li e desde já quero dar-lhe os parabéns, e espero que continue se esforçando para sempre fazer o seu melhor, quando encontro bons blogs sempre fico mais um pouco meu nome é: António Batalha. Como sou um homem de Deus deixo-lhe a minha bênção. E que haja muita felicidade e saude em sua vida e em toda a sua casa.
    PS. Se desejar seguir o meu humilde blog, Peregrino E Servo, fique á vontade, eu vou retribuir.

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  10. Gracias por seguir mi blog.
    Bellas palabras, enhorabuena.
    Estaré por aquí.
    Saludos.

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