segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Memórias















Já a noite selou a despedida,
E o sol, em lágrimas, partiu.
No labirinto das memórias, tu e eu;
Ao longe, o cais nebuloso da vida.

Nas águas, a cópia dos temores
Tornava evidente o fim do dia,
Escondia no silêncio as nossas cores,
Só a mão do adeus ali se via.

Subi avidamente o promontório,
mas vi em frente o abismo da sorte,
Onde o sonho soçobrou à morte
E eu tive de assistir ao teu velório.

Nos meus lençóis onde corriam rios,
Eu pude tocar-te novamente,
Mas o meu corpo, enérgico e quente,
Fez-se pedra mirrada nos teus braços frios.

Acordei, corri atormentada
Na busca de qualquer outro cenário.
Mas na sombria noite não vi nada,
Só, sobre a mesa, aberto, o meu diário.

Maria da Fonte
Imagem retirada da internet


5 comentários:

  1. minha querida amiga,
    ainda fora, mas não resisti aos encantos das tuas palavras sempres maravilhosas: aqui e lá!
    Belo poema, sim.Mas o novo ano está ai: não podes acordar atormentada!
    Muitos bjis

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  2. Ainda bem que foi um sonho (pareceu-me...).
    Gostei do teu poema, é magnífico.
    Minha querida amiga, tem um bom fim de semana.
    Beijo.
    (a voltar de férias, aos poucos...)

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  3. Amiga,
    Um poema belíssimo, muito bem construído e repleto de emoções.
    Beijinhos e uma semana cheia de luz bem colorida.

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  4. Reli com agrado, porque a tua poesia é de ler e chorar por mais...
    ~Beijo, querida amiga.

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  5. A vida é feita de memórias...

    Gostei muito!

    Deixo um beijo :)
    Sónia

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