domingo, 27 de novembro de 2011

Encomendas




















Quando da janela do teu ventre, Mãe,
espreitei a montra pela primeira vez,
acreditei que o amanhã, talvez,
pudesse ser o presente que ali via.
O homem discreto que ao balcão servia
abriu-me a porta e convidou-me a entrar.
Tudo que apontava, e que eu queria,
escreveu na lista de pedidos a reservar.
Escreveu, escreveu… até não poder mais.
Indiquei-lhe tudo, desde o berço ao cais.
E na despedida, voltei a lembrar
que essas encomendas eram para levar.
Não sabia eu que havia validade
para o que deixei preso na idade.
Hoje volto à loja, vejo-a vazia,
alguém me levou os sonhos
que via.

Texto: Maria da Fonte
Pintura: Ilka Almeida Passos

4 comentários:

  1. São versos além do sentir poético onde tudo é uma partilha de vivências com a nostalgia do que foi do é e do será sentir mais e mais ainda...

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  2. Lindo Maria!
    Falas das coisas da infância, dos sonhos onde achamos tudo possível(aliás, tudo parece nosso e feito pra nós) e depois a vida vai nos roubando devagarzinho esses sonhos na gaveta do tempo... E de repente assustamos com ela tão vazia de sonhos que antes transbordavam como gavetas de adolescentes...
    Beijokas doces e uma boa semana.

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  3. ...traigo
    sangre
    de
    la
    tarde
    herida
    en
    la
    mano
    y
    una
    vela
    de
    mi
    corazón
    para
    invitarte
    y
    darte
    este
    alma
    que
    viene
    para
    compartir
    contigo
    tu
    bello
    blog
    con
    un
    ramillete
    de
    oro
    y
    claveles
    dentro...


    desde mis
    HORAS ROTAS
    Y AULA DE PAZ


    COMPARTIENDO ILUSION
    MARIA DA FONTE

    CON saludos de la luna al
    reflejarse en el mar de la
    poesía...




    ESPERO SEAN DE VUESTRO AGRADO EL POST POETIZADO DE HÁLITO DESAYUNO CON DIAMANTES TIFÓN PULP FICTION, ESTALLIDO MAMMA MIA, TOQUE DE CANELA ,STAR WARS,

    José
    Ramón...

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