sábado, 15 de outubro de 2011

Grito





Suspendi
o horizonte
no meu grito
amortalhado
por ventos
adversos.

Cerrei
na minha voz
o infinito
de planos
de sentidos
dispersos.

Esvaído
em sangue
o meu pavor,
contaminei
o sol
que morria.

Manchei
de vermelho
a minha dor,
matei a comunhão
que aqui
jazia.

No sufoco
sinistro
do agora,
sou a sombra
do grito
que em mim mora.

Poema de Maria da Fonte
Pintura de Edvard Munch

1 comentário:

  1. Comentei no facebook...e faço-o aqui. É um poema de imensa beleza dentro de um contexto de profunda dor e tristeza.

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