sábado, 29 de outubro de 2011

Amigo



Indagou-me um dia
o Mestre, impaciente,
no final da prova que fazia,
se eu tinha uma resposta
convincente para a pergunta
que, por fim, ali se impunha.
Olhei-o do cimo do meu ser,
ofendido com aquela questão.
Não havia, ali, no meu saber
incerteza, qualquer hesitação.
Silabou A-MI-GO, devagar,
e, colando o seu olhar ao meu olhar,
pediu-me que definisse o que dizia.
Questionei a sua autoridade,
o seu saber, a sua sanidade,
o que ditou pergunta tão vazia!
E, num sopro, cuspi de uma só vez:
AMIGO, amizade, amante, aliado,
o que ama, amásio, partidário, afeiçoado…
A resposta, que eu dei, que ele refez,
deixou-o suspenso, assustado.
-AMIGO… sábio, douto, erudito,
é muito mais que um dicionário;
é o infinito, o intocável, o não dito,
o que não cabe no teu abecedário!

Maria da Fonte

Sem comentários:

Enviar um comentário